Estudantes realizam Feira Gastronômica para aprender sobre empreendedorismo

Cerca de 220 estudantes do 2º ano do Ensino Médio estão prestes a viver um dia inteiro como empresários do ramo da gastronomia. Não é de brincadeirinha, é coisa séria. Eles vão participar de uma Feira Gastronômica, no Colégio Sagrada Família, na próxima quinta-feira (03/10), vendendo produtos e lucrando com isso.

A feira é resultado do Projeto Empreender, da disciplina curricular de Empreendedorismo. Segundo o professor Patrício Vasconcelos, o trabalho é uma simulação de uma situação real do empresário para representar todas as etapas, desde o planejamento, passando pelas negociações, busca de parcerias, prática, resultado e questão social.

O professor Patrício Vasconcelos e uma das equipes que vão participar da Feira Gastronômica no Colégio Sagrada Família/Foto: Willian Chomexem

Segundo Vasconcelos, a ideia de promover uma feira gastronômica é devido à facilidade em que os adolescentes têm em fazer um produto. “Eles mesmos podem fazer um doce, um salgado. Fabricar um produto que não seja alimento acaba sendo mais difícil”, esclarece. Dessa forma, os grupos definem qual comida vão vender e, depois, correm atrás de parcerias, patrocinadores e investidores para dar forma ao projeto. 

Ao final, parte do que foi vendido é dividido entre os alunos da equipe e investidores. Como os estudantes também são avaliados com nota pela disciplina, isso impacta diretamente no valor que será recebido por eles. “Existe, ainda, a questão social, onde 6% do lucro obtido é doado para instituições de caridade”, afirma o professor. 

Ao todo, 19 miniempresas vão apresentar o resultado de um trabalho planejado por dois meses. “O objetivo é formar as habilidades profissionais e pessoais, envolvendo autoconhecimento, autonomia financeira, carreira e emprego e desenvolver o perfil empreendedor dos jovens”, explica o professor. A feira vai reunir estudantes das três sedes da rede Sagrada Família: Centro, São José e Auxiliadora.

O momento mais aguardado

A feira é o momento mais esperado pelos alunos. “A gente entra no 2º ano já pensando que vai ter a feira, pensando no produto pra vender, imaginando esse trabalho”, comenta a estudante Giovana Maia. Ela e mais 11 colegas decidiram criar a empresa “O Espetacular Açaí”.

Os alunos do 2º ano do Ensino Médio vão viver uma experiência real de uma empresa/Foto: Willian Chomexem

Como o próprio nome já diz, açaí foi o produto escolhido. “Açaí é popular, a gente sabe que vai vender bastante, além de não precisar de muito equipamento. É basicamente montar e está pronto”, conta a estudante Maria Luiza dos Santos. Todos passaram por um treinamento para saber como fazer e, principalmente, as regrinhas de higiene com alimentação. 

Eles vão vender 300 ml com dois acompanhamentos por R$ 8 e 400 ml com três acompanhamentos por R$ 10. Os acompanhamentos são uva, banana, morango, leite em pó, paçoca e leite condensado. Quem quiser um extra, paga R$ 1 a mais por isso. A equipe se programou com 60 litros de açaí para o dia.

Para chegar a esses valores, eles trabalharam muito. Correram atrás de patrocinadores, porém, muita gente não topou investir nesse projeto por não acreditar na seriedade. “É difícil conseguir quando é apenas para estudante”, alega Giovana. Mas, com a união da equipe, eles conseguiram cinco patrocinadores. “Estão cobrindo mais de 70% do custo total que estamos tendo”, comemora o aluno Vinícius Camargo.

O Espetacular Açaí é uma das mini-empresas criadas para a Feira Gastronômica/Foto: Willian Chomexem

Além disso, eles também precisaram trabalhar com o marketing, edição de imagens, elaborar logomarca. Criaram até uma página no Instagram. Descobriram as habilidades de cada um para dar o melhor para esse projeto. “Todo mundo tem seu valor e soubemos usar isso a favor”, afirma o estudante Luan Hernandes. 

Agora, a expectativa é o dia da feira. Como a previsão do tempo é de bastante calor, eles acreditam que vão vender muito açaí. E, não só por isso, mas porque vão contar com dois Homem-Aranha, o que, segundo o grupo, vai ser um diferencial para chamar atenção do público. “É um projeto que vai marcar para o resto da vida”, garante Vinícius.

A feira será aberta ao público, no dia 3 de outubro, das 9h às 19h, no pátio do Colégio Sagrada Família Centro. No dia, estarão à venda cachorro-quente, espetinho, nachos, sobremesas, crepe, brownie, cookies e geladinho, coxinha assada, açaí, hambúrgueres, panqueca, sucos, sorvetes e drinks de frutas. Aliás, uma das miniempresas de hambúrguer vai plantar uma árvore a cada 10 produtos vendidos.

Empreendedorismo na escola

A disciplina de Empreendedorismo já está na grade curricular da escola há 12 anos. De acordo com a diretora Irmã Edites Beth, a intenção de adicionar essa matéria no Ensino Médio foi para que “os alunos aprendessem a participar mais na comunidade e utilizassem o potencial que têm, para que, quando fossem sair da escola, além de estarem bem preparados para o vestibular, tivessem uma perspectiva de vida”, esclarece.

A escola utiliza a metodologia de Leo Fraiman, que sustenta eixos fundamentais na formação humana, como o autoconhecimento, a inteligência emocional e a atitude empreendedora. Assim, ao longo do ano, os estudantes do 2º ano do Ensino Médio recebem uma série de ensinamentos direcionados ao mercado, porém, permeado por valores. “Ele inclusive trabalha a questão da felicidade. Se você faz um trabalho, um produto, você quer satisfazer alguém e gerar felicidade ao seu cliente”, comenta o professor.

A Irmã Edites ainda lembra que a disciplina de Empreendedorismo se converge com as demais. “Para empreender, você utiliza a matemática para calcular, o português para se comunicar melhor, a filosofia para mostrar os valores sociais, entre outras possibilidades”, explica.

Com a disciplina na escola, muitos ex-alunos levaram os aprendizados adiante. O jovem Lucas Machado, proprietário da Top Brownies, é um deles, que hoje faz sucesso em Ponta Grossa. “Muitas técnicas que aprendi em empreendedorismo eu aplico hoje em meu negócio”, diz.

Lucas Machado, proprietário da Top Brownies, recebeu os ensinamentos da disciplina de Empreendedorismo e, hoje, aplica na prática/Foto: Silvia Cordeiro

Lucas começou a vender brownies de forma profissional há dois anos (a história dele foi contada aqui). Quando participou da feira no colégio, o foco foi cachorro-quente. A propaganda e o produto foram tão bons, que tudo se esgotou em poucas horas. “Foi uma experiência que me deu base”, comenta. No ano seguinte, ele decidiu fazer brownies para vender na escola.

Em dois anos de atividade, hoje, ele possui 15 revendedoras ambulantes, seis pontos fixos de venda, além de vender no iFood. Sua página no Instagram já conta com quase 7 mil seguidores. O crescimento é rápido, pois ele não para de se reinventar.

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