Jovens encontram nos doces uma nova forma de renda

Lucas, Caroline e Ana Gabriella tem uma história em comum. Os três jovens encontraram nos doces uma forma de complementar a renda. Cada um deles produz sobremesas de forma artesanal para vender entre amigos e novos clientes que vão surgindo. Os jovens também investiram em páginas nas redes sociais para alavancar as vendas.

BROWNIE/Onde Comer PG
Lucas Machado tem 18 anos e encontrou no brownie uma forma de complementar a renda/Foto: Silvia Cordeiro

Há um ano e meio, Lucas decidiu embarcar no mundo dos brownies. O doce pode até lembrar um bolo de chocolate, mas leva muito mais glamour e técnica. “É um doce fino”, reforça Lucas Machado. Ele conta que decidiu começar a fazer brownies quando a família passou por problemas financeiros. “Minha mãe teve câncer de mama, foi um período difícil. Eu, sendo filho único, sabia que meus pais não iam negar de dar dinheiro para mim quando quisesse algo. Isso me incomodava”, explica.

Por gostar de gastronomia, resolveu investir no doce. “A primeira receita é totalmente diferente da que eu tenho hoje. Estudei muito para chegar nessa qualidade”, comenta. Depois de diversos erros e acertos na cozinha, ele desenvolveu a própria receita. Atualmente, Lucas faz brownies dos tipos tradicional e com recheios de prestígio, leite condensado cozido, leite ninho e ganache de chocolate meio amargo.

Além de amante da cozinha, Lucas, que está com 18 anos, estuda para cursar medicina. Enquanto não está em aula, ele aproveita para fazer doces e vender. “Estou conseguindo ter meu próprio dinheiro. Não preciso ficar pedindo para meu pai, o que é muito bom. Mas a parte mais incrível disso tudo são as pessoas que acabei conhecendo ao longo desse tempo”, celebra. Mesmo quando começar a faculdade, o estudante não pretende parar. “Vou fazer meus brownies e vender aonde for”, completa.

ALFAJOR/Onde Comer PG
Caroline Soares de Oliveira tem 22 anos e produz alfajor de forma artesanal/Foto: Willian Chomexem

Caroline Soares de Oliveira, de 22 anos, também já tem um ano que produz doces. Ela decidiu investir em alfajor, uma iguaria que é feita de bolacha, doce de leite e cobertura de chocolate ao leite. O trabalho artesanal começou após uma situação triste na família. “Eu cursava arquitetura em uma faculdade particular de Ponta Grossa. Quando meu pai faleceu, eu precisei de uma renda extra para poder concluir o curso”, comenta.

A ideia partiu da mãe dela, que passou a receita. “Comecei a vender na faculdade, oferecia nos restaurantes, batia perna, oferecia na rua para conseguir vender o alfajor”, relata. Aos poucos, o namorado dela, que é formado em administração, a ajudou a organizar os custos. “Ele me ensinou a fazer planilha no excel, como encarar meu produto como negócio, fiz uma logomarca”, explica. Caroline pensa na possibilidade de expandir o trabalho, que por enquanto é artesanal.

Segundo ela, a lição de toda essa aventura foi o amadurecimento. “A renda a mais me ajudou a conquistar minha independência financeira, a concluir meu curso e a mudar a minha vida. Encaro isso com amor e eu recebo amor. É muito gratificante”, finaliza a arquiteta.

PAO DE MEL/Onde Comer PG
Ana Gabriella Dalle Carbonare tem 19 anos e investiu na produção de pães de mel/Foto: Willian Chomexem

Entre os jovens, Ana Gabriella Dalle Carbonare foi quem começou o trabalho mais recentemente. Desde julho, a estudante de 19 anos colocou um objetivo financeiro. “Minha mãe sempre fala, temos que ter dinheiro para poder viajar para esse ou outro lugar. Mas como vai surgir o dinheiro se a gente não fizer algo para ter?”, questionou. Por isso, desde então, começou a fazer pão de mel, que leva uma massa fininha, recheio de leite condensado cozido e cobertura de chocolate ao leite.

“Minha mãe sempre faz essa receita para dar de lembrancinha na Páscoa e no resto do ano, todo mundo fica pedindo. É muito famoso entre a família”, comenta. Atendendo a pedidos, ela e a mãe começaram a fazer. Por semana, sai de 70 a 100 pães de mel, que são vendidos sob encomenda. Segundo a estudante, o processo é demorado, mas o sabor é incrível. “Muita gente quando pensa faz careta por causa do mel. Mas nessa receita o gosto fica bem suave”, revela.

Ana Gabriella é estudante de direito e não pretende expandir o negócio. Ela faz estágio e quando se formar, pretende seguir na área jurídica. No entanto, deve continuar com o pão de mel de forma artesanal. “A gente até aumentou as especialidades. Estamos fazendo café cremoso, brownie e inventando coisas diferentes para as datas comemorativas”, explica. Quanto à meta financeira, a estudante garante que já está começando a ver retorno, em poucos meses de trabalho.

Negócio próprio

De acordo com a coordenadora de Fomento, Empreendedorismo e Inovação da Prefeitura de Ponta Grossa, Tônia Mansani, não há como mensurar quantos jovens optaram por iniciar um negócio próprio na cidade, independentemente da área. O requisito idade não é um item obrigatório quando uma pessoa preenche os documentos para se tornar um Microempreendedor Individual (MEI). “O que se sabe é que muitos jovens buscam empreender nos setores de comércio e tecnologia”, explica.

Segundo ela, a área da gastronomia é muito rigorosa. Quem deseja abrir uma empresa, precisa seguir uma série de exigências da Vigilância Sanitária. “A barreira de entrada na alimentação é o custo. Um investimento que, às vezes, o jovem não dispõe”, comenta. Tônia afirma que, quem procura ser um MEI dentro dessa área é porque já está há algum tempo no mercado.

A coordenadora sugere uma ideia para quem deseja empreender em qualquer área. “Existem várias formas da pessoa testar a ideia ou receber alguma consultoria especializada para direcionar o negócio, como a UEPG, a UTFPR e o Senai. Depois disso tudo, ela decide com mais efetividade se deseja abrir uma empresa”, revela.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) possui uma Agência de Inovação, a qual dá o suporte a pessoas ligadas à universidade ou inventor independente. Há também a Incubadora de Inovações da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que ajuda na transformação de ideias com base tecnológica. Já o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) presta serviços de consultoria, apoio tecnológico e ensaios laboratoriais.

SALA EMPREENDEDOR/Onde Comer PG
Sala do Empreendedor fica dentro da sede da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa/Foto: Silvia Cordeiro

Já quem possui a ideia pronta e deseja colocar em prática como um microempreendedor, pode buscar a Sala do Empreendedor. O espaço fica localizado dentro da sede da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, à Avenida Visconde de Taunay, 950, na Ronda. O telefone para contato é (42) 3220-1000. A opção também é entrar no site e fazer o processo online.

Serviços

Top Brownies

Telefone: (42) 99949-5105

Endereço: R. Jacob Nadal, 70 – Jardim Carvalho

Horário: Atendimento sob encomenda

Preços: Brownie tradicional – R$ 4 | Brownie recheado – R$ 5 (sabores: ganache de chocolate meio amargo, leite ninho, leite condensado cozido e prestígio) | Forma com mini brownie – R$ 100

brownie ninho/Onde Comer PG
Brownie com recheio de leite ninho da Top Brownies/Foto: Silvia Cordeiro

 

Humm Alfajor

Telefone: (42) 99934-0103

Endereço: Não divulgado – Entrega no Centro

Horário: Atendimento sob encomenda

Preços: Alfajor – 1 unidade = R$ 3 | 4 unidades = R$ 10

alfajor embalado/Onde Comer PG
Alfajor com recheio de doce de leite da Humm Alfajor/Foto: Willian Chomexem

 

Isso É Mel!

Telefone: (42) 98887-9978

Endereço: Não divulgado – Entrega a combinar

Horário: Atendimento sob encomenda

Preços: Pão de mel pequeno – 1 unidade = R$ 3,50 – 3 unidades = R$ 10 – acima de 10 unidades = R$ 3 cada | Pão de mel grande – R$ 5 | Brownie – 1 unidade = R$ 4 – 4 unidades = R$ 15 | Café Cremoso – R$ 15 (sabores: tradicional, amarula e chocolate)

pão de mel embalado/Onde Comer PG
Pães de mel com recheio de leite condensado cozido da Isso É Mel!/Foto: Willian Chomexem

Agência de Inovação e Propriedade Intelectual – UEPG

Telefone: (42) 3220-3263

Endereço: Av. General Carlos Cavalcanti, 4748 – Bloco da Reitoria | Uvaranas


Incubadora de Inovações – UTFPR

Telefone: (42) 3220-4814

Endereço: Av. Monteiro Lobato, s/n – Jardim Carvalho


Senai 

Telefone: (42) 3219-4900

Endereço: R. Joaquim de Paula Xavier, 1050 – Vila Estrela

2 comentários em “Jovens encontram nos doces uma nova forma de renda”

  1. Parabéns aos entrevistados e entrevistadores.
    É muito inspirador ver pessoas encarando as adversidades de maneira empoderadora, buscando uma saída alternativa muitas vezes ignorada pela maioria e ainda muitas vezes acreditando apenas em si mesmos. Essa é a essência do empreendedorismo e chave para a prosperidade não apenas individual, mas de qualquer sociedade.

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